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Quando os pensamentos estão a mil Exagero à parte, portadores da Síndrome do Pensamento Acelerado têm uma velocidade exacerbada nas suas ideias![]() Spa é mesmo prejudicial à saúde. Pesquisas comparam a uma droga que entra sorrateiramente e, quando menos se percebe, está minando todas as áreas da vida de uma pessoa: o trabalho, a família, o lazer... Melhor é ficar longe - o mais distante possível. Se os proprietários de empresas que promovem relaxamento e perda de peso estiverem a ponto de enfartar com esta informação, pedimos calma, muita calma. Podem se desarmar e nem precisam acionar o departamento jurídico para entrar com pedido de indenização contra o jornalista que produziu esta reportagem. O Spa mencionado não é aquele local maravilhoso, sinônimo de paz, saúde e tranquilidade. Coincidência ou não, o termo é utilizado pelo psiquiatra e escritor Augusto Cury, em seu livro O Código da Inteligência, para designar a Síndrome do Pensamento Acelerado. Distúrbio caracterizado pelo excesso de atividade em termos de pensamento que, segundo o médico, configura-se, como o grande vilão da qualidade de vida. Quem pode ser acometido? Adolescentes, jovens, idosos e até crianças reforçam as pesquisas, que consideram a desordem como uma epidemia mundial. Pela nomenclatura, é possível presumir que coisa boa não é. A começar pela primeira palavra que significa sintomas de uma doença, sinais maléficos, perigosos, desagradáveis... Os termos a seguir talvez dispensem comentários. Primeiramente, pela popularidade que têm, depois, pelos estragos que costumam provocar, já que todo ritmo muito acelerado beira sempre a um abismo. Salvo em algumas exceções, se é que existem. Perceberam que se trata de outro tipo de SPA? Esclarecimentos feitos, agora vocês concordam que a sigla denota mesmo coisa ruim? Porque “mente acelerada é mente desequilibrada”, afirma Isaak Efraim, psiquiatra e também autor de livros.
ANSIEDADE Considerando que somos conduzidos por nossos pensamentos, que conclusão tirar se eles forem desmedidos e instáveis? Inevitavelmente, esse descompasso será transferido para o corpo. Neste aspecto, os especialistas abrem um parêntese. O alerta é quanto à diversidade dos pensamentos e não à intensidade, ou seja, pensar muitas coisas e querer realizá-las de uma só vez. É claro que isso ocorre somente em âmbito mental porque, na prática, ninguém consegue estar na China e na Inglaterra ao mesmo tempo. De qualquer forma, fazer uma coisa com o pensamento em outra pode resultar em muitas consequências. Uma delas, segundo a psicóloga maringaense Luciane Danzmann, é a ansiedade, uma vez que a pessoa não se entrega no que faz e fica sempre dividida com outras atividades. Mas esclarece: “A ansiedade é uma reação normal que prepara o indivíduo para lutar. Quando equilibrada, é importante porque impulsiona e nos leva a agir. Resultado contrário obtemos ao sermos acometidos por uma ansiedade descontrolada. Ao invés de ajudar, bloqueia a criatividade e pode levar até a paralisação”, adianta. A psicóloga afirma, ainda, que as ideias são importantes para orientar, não para acelerar os pensamentos. Ela admite o ritmo e o sistema impostos hoje pela vida, mas diz que o volume de atividades pode ser usado como um instrumento na adoção de métodos para agir e não para gerar desestabilização. Neste aspecto, Luciane destaca a importância da organização, do planejamento e, sobretudo, da conscientização que somos limitados, e não conseguimos fazer tudo de uma só vez. Verdade. Fazer tudo ao mesmo tempo não dá. O que dá mesmo tal pretensão é uma tremenda dor de cabeça, mau humor, irritabilidade e o “coração sempre querendo sair pela boca”. Isso a curto prazo, mas se a atitude perdura, é possível que as consequências sejam ainda mais graves, uma vez que a sobrecarga mental é um forte componente desencadeador de inúmeras doenças, segundo afirmam os médicos. CÓDIGO DA INTELIGÊNCIA No livro o Código da Inteligência, Augusto Cury diz que a Síndrome do Pensamento Acelerado é provocada pela multiplicidade de compromissos que fica armazenada na mente da pessoa. Ele explica que a memória humana é seletiva, abre e fecha de acordo com as emoções. Apesar de possuir esta característica de poder selecionar, as pessoas “hiperpensantes” usam-na de forma exacerbada. Nesse movimento, eles desviam energia do córtex central - a camada mais evoluída do cérebro - e, com isso, são vítimas de um conjunto de manifestações que leva a um grande esgotamento. Portadores da SPA não desligam porque a velocidade de seus pensamentos é muito grande. Elas têm um perfil bem definido: são irritadas, impacientes, o humor é oscilante e estão sempre no limite. E por uma razão bem lógica: a pessoa maquina mentalmente, mas não consegue cumprir as tarefas no tempo e da forma que espera. O que provoca também uma insatisfação, porque elas não conseguem se entregar em nada do que fazer. Realizam uma coisa, mas ficam com a mente projetada em outra. “Se estão no trabalho, pensam na família, se estão com a família, pensam no lazer. Até nesses momentos que deveriam servir para um relaxamento e descontração, não é possível, porque a mente está canalizada em outra atividade”, diz. Luciane revela que a predisposição de cada pessoa, reforçada pelas muitas cobranças que existem no mundo de hoje, bem como o excesso de estímulo e informações são algumas das causas do referido comportamento. Ela vê na busca do equilíbrio e do reconhecimento das limitações formas inteligentes de lidar com todas as dificuldades. Como exemplo, ela cita um funcionário que sai da empresa com a missão de fazer diversas coisas no dia. “Às vezes, a pessoa já sabe previamente que não vai conseguir, mas tenta a qualquer preço realizar sua tarefa. Na ânsia de dar o máximo, a pessoa acaba atraindo problemas por não admitir que não conseguirá cumprir os seus afazeres”. Da maneira que caminha o mundo, tudo leva a crer que as cobranças não vão deixar de existir - tão pouco os problemas. Talvez, não seja a ausência deles o mais importante. Para a psicóloga, o diferencial é a maneira que encaramos e enfrentamos os acontecimentos na vida, inclusive o excesso de atividades. [...] Por Alderi Rabêlo Leia mais na Revista Mídia e Saúde - fevereiro |