Edição: 102 - Mês: Agosto - Ano: 9

A supervalorização dos erros

A nossa vida é cheia de desencontros e imprevistos

A nossa vida é cheia de desencontros e imprevistos. Desde os primórdios, o ser humano esbarra em uma grande dificuldade: estabelecer relações que não gerem desapontamentos e frustrações. Em qualquer área da vida, somos constantemente testados no quesito boas maneiras. Mas, nem sempre, conseguimos obter aprovação nos testes aos quais somos submetidos.

Em nosso cotidiano, precisamos conviver com muita gente. Alguns contatos que estabelecemos, em razão da sua natureza, são momentâneos e circunstanciais; outros, por sua vez, tornam-se estáveis e duradouros. Dependendo do que falamos ou da maneira como agimos, podemos causar aborrecimento ou mal-estar.

Na verdade, viver bem é realmente um grande desafio. É preciso lembrar que não estamos livres de cometer deslizes ou excessos. Mas é fundamental não esquecer também que a reparação de danos é uma condição imprescindível para que as pessoas vivam de forma pacífica e respeitosa.

Ações deselegantes podem acontecer em qualquer momento. O seio familiar ou o local de trabalho, por exemplo, assim como a fila de espera ou o trânsito, entre outros, são ambientes propícios para revelar a conduta que temos. Em ocasiões desse tipo, é possível exercitar a nossa capacidade de lidar com a divergência de pontos de vistas, assim como aprimorar a arte de bem se relacionar.

Quando praticamos algum ato inconveniente, o reconhecimento imediato é a melhor escolha que podemos fazer. Um pedido de desculpa é o mínimo que se espera, de acordo com as regras de boa educação. Dependendo da gravidade do fato, é preciso uma atitude mais ousada, como pedir perdão ou perdoar. É claro que uma decisão assim não é fácil de ser colocada em prática, mas penso que, se o fizermos, seremos os maiores beneficiados.

Infelizmente, nem sempre este ideal de convivência é alcançado. Muitos têm a propensão de sublimar o erro ao invés de dar o seu devido valor. Em geral, quem apresenta esse perfil costuma agir com rigor excessivo com os outros, além de ter relacionamentos marcados por constantes desajustes. Como resultado, sentimentos como mágoa, rancor e ódio costumam ser seus fiéis companheiros.

Algo que me chama a atenção é a facilidade que o ser humano tem de fazer julgamento com base em atos isolados. Em geral, conseguimos enxergar mais facilmente as falhas que os acertos. Nesta perspectiva e guardadas as proporções, quase sempre damos mais ênfase a uma atitude negativa que os atos praticados de forma correta e não menos importantes. Esta supervalorização dos erros pode, entre outras coisas, causar tristeza e ser injusto.

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Por Armando Luiz de Sá Ravagnani

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