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Casamento: do ideal ao real Em um casamento idealizado, pretendemos liberdade de escolha, autenticidade de propósitos e um delicado pacto de dedicação mútua. O idealizado, porém, não corresponde à realidade![]() Casamento, tema complexo e vital na experiência humana. Assume tantas formas que, do uniformizante ideal à diversidade do que é real, haverá sempre muita coisa a se comentar. Primeiramente, verifiquemos que nem sempre a união se dá por afinidade. Dependendo do contexto social e da cultural, o matrimônio estará ligado a conveniências econômicas e aos ditames sociais. Em sociedades mais tradicionalistas, a solteirice na maturidade é vista como sinal de mácula psíquica ou mesmo moral. Há tamanha pressão sobre os indivíduos para que estes encontrem o casamento, que muitos chegam ao altar sem convicção. A necessidade de satisfação social é tanta que, por vezes, confunde-se o amor ao parceiro com o conforto da adequação.
Mesmo quando as pessoas se casam por afinidade e paixão, estas não são as únicas forças a darem a este ato a devida impulsão. A busca é, sobretudo, por reconhecimento e aceitação. Sendo apenas mais um dos tantos bilhões de indivíduos existentes no mundo, estabelecer casamentos e ter filhos é o meio natural para não passar pela vida de forma incógnita e despercebida no tempo. Formar laços é o antídoto para o veneno do desamparo e da irrelevância. Em um casamento idealizado, pretendemos liberdade de escolha, autenticidade de propósitos e um delicado pacto de dedicação mútua. Partilhar das coisas mais banais aos momentos mais difíceis como enfermidade, velhice e morte. O idealizado, porém, não corresponde à realidade. Talvez por incapacidade, vontade incerta, mudança de percepção do outro ou da situação. Isso acontece quando o enlace foi imbuído mais de expectativa do que de aceitação do que ambos trazem consigo para a pretensa união. [...] Por Dr. Hélio Borges Leia mais na Revista Mídia e Saúde |