Edição: 102 - Mês: Agosto - Ano: 9

Lúpus eritematoso sistêmico

Ainda não existe cura para a doença. embora possa ser fatal, avanços na medicina têm tornado as mortes cada vez mais raras. a doença lesa partes do corpo como coração, articulações, pele, pulmões, vasos sanguíneos, fígado, rins e sistema nervoso

O lúpus eritematoso sistêmico (LES ou lúpus) é uma doença autoimune (produz autoanticorpos) do tecido conjuntivo (tecido que faz junções, uniões), que pode afetar qualquer parte do corpo. Assim como ocorre em outras enfermidades que apresentam essa característica , o sistema imune ataca as próprias células e os tecidos do corpo, resultando em dano tecidual. A palavra lupus deriva do latim e significa lobo, porque as lesões faciais têm características semelhantes às mordidas desse animal.

A doença lesa quase sempre partes do corpo, tais como coração, articulações, pele, pulmões, vasos sanguíneos, fígado, rins e sistema nervoso. A sua evolução é imprevisível, com períodos que alternam com remissões. Ela ocorre nove vezes mais frequentemente em mulheres do que em homens, especialmente entre as idades de 15 e 50 anos. É mais comum nas pessoas que não têm ascendência europeia.

         O LES é tratável de forma sintomática principalmente com corticosteroides e imunossupressores. No momento, ainda não há cura. Ele pode ser fatal, no entanto, com os atuais avanços da Medicina, as fatalidades têm se tornado cada vez mais raras. A taxa de sobrevivência em cinco anos para pessoas com LES nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa é de aproximadamente 95%, 90% em 10 anos e 78% em 20 anos.

TIPOS

Existem três tipos de lúpus: o discoide, o sistêmico e o induzido por drogas.

Lúpus discoide.

É sempre limitado à pele. É identificado por inflamações cutâneas que aparecem em regiões como a face, a nuca e o couro cabeludo. Em aproximadamente 10% das pessoas, pode evoluir para o lúpus sistêmico, o qual pode afetar quase todos os órgãos ou sistemas do corpo.

Lúpus sistêmico

Costuma ser mais grave que o discoide e, como o nome diz (sistêmico=geral), pode afetar quase todos os órgãos e sistemas. Em algumas pessoas, predominam lesões apenas na pele e nas juntas, em outras podem predominar nas juntas, nos rins, nos pulmões e no sangue, mas há aqueles que outros órgãos e tecidos podem ser afetados. Enfim, os casos diferem entre si.

Lúpus induzido por drogas

         Ocorre como consequência do uso de certas drogas ou medicamentos. Os sintomas são muito parecidos com o lúpus sistêmico. Inclusive os próprios medicamentos para tratar a doença podem levar a um estado de lúpus induzido. Por isso, é preciso ter certeza absoluta do diagnóstico antes de tomar remédios perigosos, tais como cortisona, antimaláricos como reuquinol e anti-inflamatórios em geral.

SINAIS E SINTOMAS

A fadiga (cansaço) costuma ser o primeiro sinal eminente. A maioria das pessoas apresenta febre contínua ou intermitente, perda de peso e mal-estar. Independentemente da forma clínica de manifestação, a maioria dos doentes tem períodos intensos intercalados por outros de relativa melhora ou mesmo de inatividade.

DIAGNÓSTICO

Testes laboratoriais (autoanticorpos)

É talvez o achado laboratorial mais consistente da moléstia. Alguns autoanticorpos como o anti-Sm e o anti-DNA de dupla hélice (dsDNA) têm valor diagnóstico, pois são altamente específicos para o LES. Os demais anticorpos não apresentam especificidade, mas a sua presença auxilia a diagnosticar o problema.

Testes de Vhs e mucoproteínas, embora sejam inespecíficos, podem ser utilizados para avaliar o nível de atividade inflamatória. No hemograma, evidencia-se anemia normocítica, leucopenia (taxa de leucócitos abaixo de 4.000/mm³), linfopenia (número de linfócitos menor que 20% do total de leucócitos) e plaquetopenia (taxa de plaquetas abaixo de 100.000/mm³).

Avaliação dos diferentes órgãos

A avaliação renal (urina I, ureia, creatinina e clearance) deve ser feita independente da presença de manifestações clínicas. Os outros exames podem ser realizados de acordo com o acometimento de cada órgão especificamente.

Critérios diagnósticos

O diagnóstico de LES é estabelecido quando quatro ou mais critérios dos abaixo relacionados estiverem presentes:

·        eritema malar (vermelhidão característica no nariz e na face), geralmente em forma de "asa de borboleta";

·        Lesões discoides cutâneas (rash discoide);

·        fotossensibilidade;

·        úlceras orais e/ou nasofaríngeas, observadas pelo médico;

·        artrite não erosiva de duas ou mais articulações periféricas, com dor, edema ou efusão;

·        alterações hematológicas (anemia hemolítica ou leucopenia, linfocitopenia ou plaquetopenia) na ausência de uma droga que possa produzir achados semelhantes;

·        anormalidades imunológicas (anticorpo antiDNA de dupla hélice, antiSm, antifosfolipídio e/ou teste sorológico falso-positivo para sífilis);

·        fator antinuclear (FAN) positivo;

·        serosite (pleurite ou pericardite);

·        alterações neurológicas: convulsões ou psicose sem outra causa aparente;

·        anormalidades em exames de função renal: proteinúria (eliminação de proteínas por meio da urina) maior do que 0,5g por dia ou presença de cilindros celulares no exame microscópico de urina;

Esse método diagnóstico tem uma especificidade de 95% e uma sensibilidade de 75%, de forma que, quando no mínimo quatro critérios forem preenchidos, em média 95 de cada 100 pacientes apresentarão de fato lúpus eritematoso sistêmico. No entanto somente 75 de cada 100 pacientes com esse tipo apresentarão positividade para quatro ou mais desses 11 critérios. Gestantes portadoras de lúpus necessitam de um acompanhamento médico rigoroso ao longo da gravidez, haja vista que a doença pode atingir também o feto.

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Por Dr. Marco Antonio A. Rocha Loures

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